Era maio de 2007 quando meu pai tinha acabado de chegar do trabalho. Ele imediatamente falou "Luana, vai pegar a caixa que tá no carro, por favor". Eu reclamei algumas vezes por odiar pegar peso e, sem vontade, fui pegar a maldita caixa. Era a caixa de um computador. Quando me virei, ele estava atrás de mim. "É pra mim?", perguntei umas três ou quatro vezes, só pra ter certeza. Naquela época, eu dependia do computador da minha irmã mais velha, e não era muito agradável, então ganhar um computador de surpresa era um pouco mais que legal. "Mas é seu presente de aniversário, já vou avisando". Nem ouvi direito. Corri para instalar e estava tão feliz com isso que nem falei da memória RAM 256 MB.
Avançando um pouco na história, era esse computador que me salvava nos domingos de tédio. Foi ele que me proporcionou horas no skype com Renan e Manu. Foi ele que sobreviveu a mudança na caixa que eu mesma fiz. Ele estava lá para iluminar meu sábado quando, sozinha em casa, corri para tirar a roupa no varal da chuva e acabei caindo e me molhando toda. Até que ele começou a ficar lento, por causa da droga da RAM. Acessos de raiva causaram um teclado quebrado em duas partes, com o "o" afundado, um mouse amassado, alguns arranhões na torre e tapas no monitor.
Uma semana atrás, quando ele pifou, eu quase chorei - e não de raiva. Meu pequeno companheiro, o instrumento que me conectava as amigas de longe estava quebrado, e por minha culpa. Vírus, provavelmente. Ele foi pro concerto, eu liguei o velho computador da Diana - aquele que me salvava antes - e realmente senti a falta da minha carroça (apelido carinhoso pra não chamar de bosta velha metida a computador), até do teclado problemático e ferrado. Ontem ele voltou pra casa e eu acho que tive o maior acesso de raiva com ele... mais lerdo que nunca, além de não syncar o iPod de jeito nenhum. Pra não chutar o CPU, comecei a sacudir as pernas (um sinal de que eu estou realmente nervosa; e meu pai rindo litros do lado), comecei a chamar de "carroça escrota" pra baixo e aí meu pai viu que eu estava quase destruindo esse computador. Então ele arrancou a memória, e hoje ele voltou com minha carrocinha com 1GB de ram e 50GB livres no HD. Quase abracei esse velho companheiro. Acho que, agora, se me oferecessem um computador melhor, mais novo e mais rápido, eu não aceitaria. Eu realmente amo essa carroça, e não posso trocá-la assim.
Bom, se for um Apple, quem sabe...