11.10.08

live your life as you please, to all the critics and the enemies

Na quinta-feira, acordei mais ou menos oito e meia da manhã. Na verdade, acordei seis e quarenta, porque a Marcella fez o favor de mandar uma mensagem dizendo que ela, a Geovana e a Patrícia estavam indo pra São Paulo com o pai da Gih. Quando finalmente tomei coragem e saí da cama, parecia mais um sonho do que qualquer outra coisa. Eu estava em piloto automático ou algo assim - me sentia um robô completamente programado! Tomei café da manhã, pedi pro meu pai trazer pilhas (porque ele não me deixou levar a Sony boazona dele - tive que levar a Sony so last year), subi pra terminar meu cartaz, tomei banho super atrasada, almocei o almoço (??) mais rápido da minha vida e terminei de arrumar tudo. Eu mal conseguia respirar de tão... não sei... robótica! Então, quando deu meio dia, nos despedimos da mãe da Laura e entramos no carro. Nossas mochilas carregadas de comida e água estavam no porta-malas, e meu iPod estava bem seguro entre minhas mãos trêmulas. Eu olhava para Késia e Laura e começava a dar risinhos nervosos de 'min acorda, puatz!', quando eu sabia que eu estava mais que acordada. Estávamos subindo a serra.
Subindo a serra na direção do McFly.
Quando chegamos no Via Funchal depois de mais ou menos uma hora e vinte, eu me assustei com o tamanho da fila, e eu só vi um quarteirão dela. Gente de tudo quanto é cor, mais all stars amarelos do que na loja da All Star, e um frio nojento. Dei tchau para meus pais com um sorriso bobo e colgate estampado no rosto. Claro que eu estava tremendo, mas disfarcei. Não era de frio. Era de nervosismo.
Liguei para Marcella e ela disse que estava andando. Depois de muito tempo, ela chegou onde estávamos, e nos levou para nosso "cafofo" na fila - no terceiro ou quarto quarteirão, em frente a um prédio preto e vermelho. Capas de chuva, uma sacola cheia de embalagens usadas, mochilas, nervosismo palpável e felicidade; a fila não me assustava mais. Estava tudo bem porque eu finalmente estava ali, e em algumas horas eu estaria vendo a razão de tudo aquilo. Horas.
O que nos separava eram ruas, não o oceano. Paredes, não fronteiras. A surrealidade era quase tangível no estado em que eu estava, faminto e ansioso... palavras me faltavam. E sentimentos eu tinha para dar e vender.
Passaram-se alguns minutos e decidimos procurar banheiros. Andamos até uma avenida, quase pegamos um táxi para o Hilton, tomamos chocolate quente por nada, conseguimos sumir por duas horas e viajamos até não poder mais, mas ficamos bem. Vivas. E a cada minuto que passava, aquela fila ficava maior. Estando onde estávamos, nos sentimos bem na frente!
Quando fui ver a Luiza, sortuda que conseguiu ficar bem na frente do Funchal, acabei esbarrando com ninguém mais, ninguém menos que NICOLE! Foi uma coisa muito qiso e uma emosoa muito grande, porque não combinamos absolutamente nada.. Enfim. Vi a Lu, super fofa! Quando voltei pra fila, vi a Lê, a Gih, a Lau e a Mai, além de encontrar com Gabi e Popo acopladas no nosso cafofo (?). Foi emocionante. Foi ainda mais surreal ver todas aquelas meninas - e eu não tinha combinado quase nada!
Às quatro horas, comecei a ficar preocupada porque fiquei de encontrar com o Artur (pra ele me ensinar a jogar truco e bater a foto pra Laís) e ele nem tinha me ligado. Enfim, a criatura chegou na fila mais ou menos cinco horas, e eu fui correndo até o fim da mesma - parei de contar no décimo segundo quarteirão que a fila invadia. Detalhe que eu fui com meu chapéu da bandeira de UK e várias meninas falaram "que lindo"! Teve até um coro de "eu quero", mas eu sou uma menina tímida, então eu me escondi e continuei a andar. Enfim, desisti de ir até o fim da fila e voltei... quando estou voltando para onde a fila estava quando saí com as meninas, quem me liga e está bem na minha frente?! Artur! A primeira coisa que eu fiz foi dar um tapa no braço dele, pra depois abraçar. Eu me assustei com o tamanho da fila - e com o fato de que eu quase cheguei no fim dela, o que provavelmente causou a horrenda dor pós-show nas minhas pernas. Mas de qualquer forma, quando conheci a Júlia, a Gi e o Du, a fila começou a andar!! E eu no meio dela, longe das minhas amigas e sem ingresso. Pra estragar o post, eu pensei "puta que pariu, ferrou!", e agarrei a manga do casaco do Artur e comecei a correr que nem uma louca. Tivemos que parar algumas vezes, quase fomos atropelados, mas conseguimos chegar no maldito empurra-empurra! O nosso cafofo estava alguns metros mais pra frente e estava todo mundo aglomerado, e muito apertado. Tinha gente até onde não cabia. Mas de qualquer forma, eu, Artur e os amigos dele conseguimos entrar no meio de tanta gente. Eu me sentia sufocada... fora a pressão psicológica de estar perto de entrar no local do show. Ah, e de conhecer a primeira pessoa na fila que eu ainda não tinha visto pessoalmente (Cris, não vou esquecer que você me viu e não foi falar comigo!!). Mas de qualquer forma, empurrando pra lá, correndo pra cá... cheguei a cair em cima de um saco de lixo (!!!!) (mas eu levantei com dignidade, ficadica), e o Artur perdeu o tênis ao mesmo tempo, e bateu aquele desespero de "vou me perder de todo mundo". Conseguimos nos recuperar e voltamos pra aglomeração que quebrava a regra de "dois corpos não ocupam o mesmo espaço". Começou a anoitecer, e estávamos parados, e tinha um velho me encoxando! Claaaro que eu troquei de lugar com o pessoal pra fugir daquele cara, eew. Cantamos É o Tchan, comemos pringles, fizemos alguns suicídios, formamos uma corrente que mais parecia uma Ciranda misturada com Créu.. e passamos sede, calor, vergonha, todas aquelas coisas que o povo passa quando está no meio de uma fila. Meia hora depois, nos mandaram fazer uma fila em duplas, e eu consegui ficar perto das meninas e do Artur. Entramos com muita emosoa, mas na hora da entrada (?) uma mulher me parou e pediu pra ver a bolsa. Abri, e, quando comecei a tirar o casaco que eu enfiei la dentro com muito esforço, ela falou pra eu passar... rerere, ainda bem que eu odeio falar palavrões. Dei meu ingresso pro moço, que foi rápido, e corri pras escadas... até ver que Késia, Marcella e Artur ainda estavam lá atrás. Esperei quase tendo um ataque do coração e, assim que eles vieram, puxei todos e comecei a subir. Entramos na pista, que já estava bem cheia. No final das contas, fiquei bem no meio da pista, nem mucho longe nem mucho perto, mas acabei me perdendo das meninas. Késia e Marcella estavam mais pra frente e mais pra esquerda, Geovana e Patrícia fora do meu campo de visão amigal e eu fiquei com Laura, Artur, Júlia, Gi, Du e as meninas que eu não sabia o nome. Era tão emocionante. Minha ficha estava começando a cair, e eu não parava de lançar olhares nervosos, nem de pensar que meu coração estava desenvolvendo outro por brotamento pro caso de eu ter um ataque (?). Depois de muita enrolação e muita dor na perna, o show da Breakshit começou, e eu fiquei parada. Não queria gastar minha câmera com eles nem minha energia, então só me animei com os covers de Beatles e Elvis. Tudo bem que eu gritei "MATOU O JOHN LENNON, HEIN" e muita gente ao lado concordou, mas não foi tãaao ruim. Claro que os mortos se reviraram em seus túmulos, mas isso a gente pode superar.
Então finalmente acabou e os caras da manutenção (?) começaram a mudar a bateria, e depois os instrumentos. Sentei um pouco no chão porque eu não me aguentava mais de pé, e também não aguentava mais meu coração! Eu tentava manter minha respiração em um ritmo saudável, mas ela saia descompassada, e estranha. O calor sufocante lá dentro começava a grudar meu cabelo na nuca, mesmo que eu estivesse com uma blusinha pequena e fina. Até que eu resolvi levantar, e me aguentar em pé.
Levantei. Comecei a gritar "Harry!" com a Júlia, assustando várias fãs inocentes -q, e dei um ataque histérico que foi mais ou menos "ARTUR, FALTA MENOS DE UMA HORA". Eu sei, eu assusto um pouco as pessoas, mas a cada minuto que passava o sonho estava mais próximo, e mais real, e não sei, mais tudo. A dor na perna e nos pés valia a pena, e o calor também. Eu estava ali com meus melhores amigos, no melhor dia de todos os meus treze anos, dez meses e vinte e seis dias de existência. E aí o show começou.
Minha ficha não queria cair. Eu olhava pro palco, pro Tom pulando, pro Danny sorrindo, pro Dougie brilhando e pro Harry animando, e olhava pro telão, e pensava "isso não pode ser de verdade". Eles abriram com One For The Radio, que, na minha opinião, foi a melhor música. Quando gritávamos "we don't care", eu sentia meus ouvidos tremerem, e minha garganta falhar de tão alto que gritava. Eu podia ver Tom sorrindo. Eu só conseguia olhar pra ele naquele momento. Eu queria poder tocá-lo para ver se era mesmo de verdade, mas estava mais do que feliz em estar ali perto, respirando o mesmo ar, pisando mais ou menos no mesmo chão. Fiquei tão empolgada que, estando na beira do primeiro degrau, MUITAS VEZES eu quase cai em cima da coreana obesa de treze anos na minha frente (mentira, ela só era obesa, e muito alta). Obrigada de verdade por ter me segurado, Artur! Se dependesse da Laura, eu teria sido esmagada pela coreana obesa, porque só uma mão dela parecia uma peçona de presunto e, perto daquilo, eu era um palito de dente. Imaginem essa batalha. Enfim, de qualquer forma, continuei pulando com o pouco de forças que me restava, e tirando fotos frustradas, e quase caindo várias vezes. Em Everybody Knows, eu senti tanta energia concentrada que quase explodi em uma reação nuclear (?). Em Obviously, cantamos tão alto que o Danny não tirou o colgate do rostinho lindo que ele tem! Quando em Star Girl nosso querido Daniel cantou "make a little love in São Paulo", eu pari uns gêmeos lindinhos lá dentro, principalmente por não ter filmado aquilo. Aliás, já que não lembro o momento exato desta façanha, vou citá-la agora: ele começou a falar que estava treinando seu português e queria tentar conosco. Então a criatura me solta "eu te amo, São Paulo" com um sotaque irresistível (vejam aqui, e sim, o vídeo é meu... notem que eu nem tremi depois). Só de lembrar, eu sinto meu pé suado dentro de um All Star vermelho em cima das nuvens!! POV foi emocionante, mas foi a música em que eu menos prestei atenção. Tenho uma leve idéia do que me distraiu, não é senhora coreana obesa de treze anos FILHADEUMAÉGUA oi, e em That Girl... minmata com esse solo, minmata! Depois de notar que eu só estava olhando para Danny e Harry, comecei a prestar atenção no baixista pequenininho... Logo quando ele falou "não tentem entender o que essa música quer dizer" (ou algo assim), e começou a tocar Transylvania! aí veio Lies pra me matar de vez, e eu até filmei o solo, mas nem coloquei no YouTube porque tremi mais que no outro vídeo. Em All About You, continuando a sequência do Dougie, ele pediu que todo mundo desse um abraço nas pessoas ao lado! Abracei o Artur e tentei passar o braço pelo ombro da Laura, mas ela estava meio ocupada ... então cantei a música com a maior emoção que eu podia, o que me fez chegar perto de chorar. Em Falling in Love, eu só não cantei mais alto porque minha voz começou a dar umas falhadas lindas. Foi a coisa mais fofa que eu vi em cima daquele palco (tirando a lambidinha que o Danny deu no Dougie e no Tom). Aliás, vamos falar um pouco do Harry agora. A maioria das minhas fotos é dele e eu nem tinha notado isso! Agora, quando ele falou que eles definitivamente voltariam... eu só me senti agradecida, e ainda mais emocionada. Passaram pra Do Ya e eu comecei a cantar que nem louca, só relaxando em Room On The Third Floor e começando a protestar quando Dougie falou que aquela era a última música. Claro que eu sabia que não era, mas isso a gente pode enterrar! Eles voltaram com a camisa amarelinha do Brasil... a coisa mais perfeita! Cantaram Five Colours in Her Hair, eu só não pulei mais porque eu realmente não aguentava a dor nos pés, e aí acabou... e eles foram embora, levando meu coração junto. Foram embora, me deixando com um sorriso bobo no rosto. Com a crença na promessa de que eles voltariam.
Me deixando sentar no chão com cara de morta estupefata que viu assombração, depois de pegar a mochila pisoteada. Fiquei parada lá, em silêncio. Ao meu lado, o Artur brincando com meu chapéu da Inglaterra (?), quando, de repente, Nicole aparece de novo com uma cara mais assustada que a minha! Pensei que ela ia ter um treco... Apesar de tudo, Nic, sua aparência estava bem melhor que a minha, só pra constar. Tiramos umas fotos, trocamos umas poucas palavras, ela foi acudir a Natália, ou Gabriela, não lembro (??), e eu continuei sentada no chão! Dei a pulseirinha pro Tutz, nós tiramos a foto pra Laís (que gentilmente nos chantageou sob ameaça de morte), e a Késia chegou com uma cara MAIS mais do que a da Nic! Só que ela chegou dizendo que o pai dela estava na porta. Olhei mais uma vez pro palco, dei tchau pra ele, dei tchau pro Artur, pro Du, pra todos os seres que eu conhecia que se encontravam ali, morri de inveja da Popo que pegou a baqueta do Harry, e saí do Via Funchal.
Depois disso, não me lembro de muita coisa. Só de ter comprado uma água por três reais, de ter me esticado no carro com uma dor horrível na perna, de ligar pra Diana logo que cheguei em casa, de tomar um banho quente e dormir. E sonhar.
Sonhar novamente, e continuar a sonhar.
Contarei da sexta-feira outro dia, porque esse post ficou absurdamente enorme, e eu abstrai muitos detalhes engraçados. O único que eu não esqueci foi o do saco de lixo, porque isso foi o mais marcante de todo o show!

MCFLY @VIA FUNCHAL

09/10/08