O fato de eu ser fechada demais assusta um pouco as pessoas. Por mais que eu conte tudo que eu possa, nunca é tudo. Chega uma hora que meus sentimentos se tornam tão profundos que meu cérebro bloqueia qualquer tentativa de expressá-los verbalmente; a partir do momento em que se tornam palavras, são plausíveis, e completamente reais. Então eu prefiro deixá-los enterrados.
Sabe, acho que já chega de posts depressivos por aqui. Eu realmente não quero preocupar as pessoas, porque não há nada em jogo - só minha sanidade mental. E eu acho que perdê-la não vai fazer muita diferença, já que eu pareço nem possuí-la. É só que eu descobri ter um coração. bgsmil.
Então faltam tipo, três dias, e eu AINDA não ganhei o meu presente. Eu sei que as pessoas sabem o que é, mas ninguém tem coragem de me dar isso. É tão fácil que, se fosse para um amigo meu, eu já o teria feito há tempos. Mas eu não sou, então vou ficar calada e ser grata por meus amigos deixarem pra lá duas festas que são no dia da minha, e ainda dizerem que é claro que eles vão na minha. Por mim. Porque eu mereço. E cada dia fica mais difícil saber que semana que vem eu vou me matricular no Objetivo, depois da prova agendada. A coisa é real mesmo. Não é mais um plano. Eu o fiz.
Ao mesmo tempo em que me sinto orgulhosa, eu me sinto meio amedrontada, porque meus pés estão nas nuvens. Minha cabeça continua bem grudada no chão, mas meus pés não - eu estou de cabeça pra baixo. É isso. Tudo ao contrário. E de que adianta minha cabeça mandar eu fazer algo, quando ele só pode ser feito pelos meus pés, e eles estão lá em cima das nuvens, no céu estrelado, provavelmente num tapete voador? Volto a repetir que eu perdi meu controle há muito tempo, e eu não posso recuperá-lo. Imaginem um brinquedo de corda. Eu passei o ano todo puxando, dando corda, esticando, colocando-o num lugar plano pra ele nunca achar obstáculos; agora eu soltei a corda, e meu brinquedinho está indo sozinho. Eu não sei se ele vai pra direita, ou pra esquerda. Pode ser que ele pare no meio do caminho por o impulso não ser suficiente, pode ser que ele tropece, pode ser que alguém o ajude a chegar até o outro lado para ter um pouco mais de corda. É uma metáfora até que boa, porque se pensarmos, esse brinquedinho é de plástico. Ele é quebrável. E se quebrar, mesmo depois de colado, ele vai conservar cicatrizes.
Eu tenho medo de me quebrar. Não como minha mãe diz quando segura meu pulso ou vê o tamanho da minha cintura (59 cm, informação desnecessária). Medo de quebrar essa coisa toda de orgulho, inteligência e é isso aí, e perceber que eu perdi muita coisa.
Eu não quero perder nada. E eu sei como não fazer isso agora. Só que eu não vou engolir meu orgulho, porque ele muitas vezes me sustentou quando eu me machuquei, e quase quebrei. Se eu não fosse orgulhosa, seria frágil. Não sou frágil. Não serei. Mesmo.
Acho que ando pensando demais, imaginando demais, tendo esperanças demais. Eu ainda não consegui chorar decentemente porque faltam alguns sentimentos nesse choro desesperado que eu sempre quis ter, só por curiosidade. Talvez eu seja feliz demais e não esteja sabendo disso. Mas, bom, que seja. Ainda tenho 13 anos. Quem sabe eu explique tudo, mas só quando eu tiver, sei lá, 14 anos.
"help me get my feet back on the ground..."