12.12.08

i wear this angel's crown to cover up my devil's frown

"Há coisas que machucam. Fato.
Eu tenho alguns machucados causados pela mesma razão. A razão que é cruel, e fica mais cruel ainda com a sua aliada: a realidade. Não é contornável nem substituível, muito menos ignorável. Dói. Dói tanto que, se eu fosse descrever aqui o que ela me faz sentir, começaria a chorar e nunca mais pararia. Porque machuca tanto que chorar soluçando parece pouco demais. Tão pouco que nem vale à pena. Comparado a essa razão, que é tão grande que, quando ocupa um espaço, faz um vazio. A falta. A saudade. Uma sensação de falta tão tangível que provoca a indiferença, e a mudança, alguma barreira transparente pra separar o ruim do pior. Fica pior a cada dia; quanto mais eu olho, mais eu sinto, e mais eu quero desistir. O problema é que eu não posso desistir, pois tecnicamente não há nada. Há o não dito, há a lembrança, há o que ficou guardado e espalhado onde não deveria estar, mas é subjetivo demais, não chega a ser substancial. Essa razão, a razão pela qual eu escrevo isso, é como um martelo que passa o tempo todo insistindo no mesmo golpe. E o atingido pelo golpe vai afundando cada vez mais, escurecendo, tornando-se doloroso e frio. E sou eu a causadora de tudo isso.
Eu podia ignorar e fingir que nada está acontecendo, mas eu me importo demais para isso. E eu sinceramente não sei como aconteceu. Eu nunca me importei desse jeito, eu nunca pensei que seria atingida por esse motivo. Eu vi isso acontecer, diversas vezes, bem ao meu lado; e eu jurei que não faria o mesmo, que seria mais forte. De certa forma eu não fiz exatamente o que vi fazerem, mas a razão pra todo esse post depressivo existe dos dois jeitos. Aliás, ela existe sempre, só que não está envolvida em tudo. Ao meu lado, também há um exemplo sem dor, sem isso tudo. Um exemplo que existe graças ao que eu fiz. E eu, burra, continuo esmurrando a ponta da faca. E os sentimentos que eu nunca tive, alimentados por todos os outros olhares esperançosos, mostram-se mais fortes que eu, e a minha força contra essa razão. Machuca saber do passado, sentir o presente e imaginar o futuro. Criar uma esperança de ser diferente traz decepção, e essa decepção traz mais dor ainda. Não vai ser diferente. Não vai mudar. Não é mútuo. Não é capaz de superar barreiras, porque já falha na primeira de todas.
Eu não sabia que era capaz de sentir isso tudo dentro de mim. Mas resumindo todas essas palavras, que contém um significado que ninguém além de mim entende, eu só sinto vontade de me afastar até não sobrar nada. Fingir que nunca existiu, pra nunca mais voltar a acontecer. Transformar essa fraqueza em força novamente, e voltar a ser indiferente, e parar de procurar uma solução. Um jeito. Mas ao mesmo tempo, eu queria saber dos outros sentimentos. Por que é que eu não tenho nem idéia da minha “resposta”? Será que é culpa da instabilidade, da verdade escondida nas brincadeiras? Parece que não. Pelo que eu vejo. Pelo que eu sinto. Quanto mais eu tento descobrir, mais eu vejo o que eu não quero, mas... Eu já sabia que isso acontecia, pois comigo acontece o mesmo. Eu só me sinto incomodada de não saber a mesma coisa em relação a mim; de ver segredos de um ponto de vista curioso, quando a curiosidade só me instiga a me afundar cada vez mais nesse oceano. Eu posso interpretar o que eu já sei, ou posso esperar o que não acho que vá acontecer. Posso esperar muito, muito tempo, e enquanto isso ficar com a dúvida na minha cabeça. Mas será que eu vou agüentar essa dúvida sem cair, sem fraquejar, sem precisar desabafar desse jeito? Se eu apenas fosse mais corajosa, ou mais fraca, eu já teria dado um jeito de descobrir exatamente o que eu quero, mas por um lado eu já sei. Eu já tive minha resposta, não diretamente a mim e não completamente confiável, mas a tive do mesmo jeito que a faria se fosse comigo, o que seria uma completa mentira. Ainda mais porque eu tenho bastante facilidade em dizer (ou enrolar) o que eu penso, e a minha outra parte, o x da minha equação, não. É tão óbvio se eu esquecer meus sentimentos. E tão prolixo se eu os considero. É mais a culpa da minha bipolaridade; quando eu não ligo, fica tudo bem. Quando eu ligo, fica tudo tão mal que eu me forço a espremer a tristeza até encontrar uma pontinha de felicidade. E eu sei onde achá-la. Então eu fico nesse vem-e-vai, tão complexo de ver/entender e tão fácil de ser resolvido, esperando. Sempre esperando.
Como já diria Simple Plan, eu posso esperar para sempre. E eu acho que não me importo. Mesmo. Quando eu começo a me importar, escrevo sobre isso e me sinto mais leve. Pronta pra mais uma. Só que, cada vez mais, eu vou ficando mais resistente. Um pouco mais forte. Vai chegar a hora em que a razão de tudo isso não vai mais me atingir. Fim.

É engraçado como esse desabafo já tem algum tempo e ainda serve para o que eu estou sentindo, quase um mês depois. O tal vazio citado foi transformado numa colcha de retalhos formada por vários sentimentos, que vão da esperança à depressão. Extremos, que deveriam estar distantes um do outro, estão colados lado a lado como se não houvesse a importância da divisão entre o ruim e o bom. Eu sei a resposta e não acredito nela; ao mesmo tempo em que me quebrei, construí novas formas de interpretá-la; vocês sabem, todo mundo mente. E eu não sei o que é mentira, nem o que é verdade. Porque algumas palavras fáceis contradizem os atos. E um ato vale mais que mil palavras.
Creio que isso não faz muito sentido para ninguém. Aliás, não faz sentido nenhum. Mas soa muito clichê se eu falar que eu também não consigo achar uma ligação entre tudo isso. Eu sei o que aconteceu e o que está acontecendo; não sei por que aconteceu, não sei por que está acontecendo e também desconheço o que acontecerá. Ainda bem, porque eu não quero ficar louca tão cedo."

Achei isso tudo num documento datado de 31 de Outubro de 2008. Não lembro se é parte de uma fanfic, ou se é apenas um desabafo, mas é engraçado como o que eu escrevo - quando se trata sobre mim - parece continuar servindo, como se fosse um sapato que crescesse de acordo com meu pé. Não espero que ninguém tenha paciência de ler isso; eu não sou nenhum gênio da escrita, muito menos lidando com sentimentos, mas, sei lá, deu vontade de dividir com alguém. Se puder, alguém invisível que, ao invés de dizer que vai ficar tudo bem, vai bater no meu ombro e falar "pena que você é a idiota da história". Ah, acredite... eu sei disso.