Eu tento me convencer de que tudo vai ficar bem um piscar de olhos, mas nem eu acredito em mim. Nem eu mesma. A única palavra que consegue grudar na minha mente é "idiota", e assim fica uma corrente de idiotas soando no meu ouvido, martelando cada pensamento e cada gesto. Se eu pudesse fazer uma expressão para isso, seria uma careta, mas eu teria que ficar com essa careta permanentemente. Minha vontade é de cair na cama, enfiar a cabeça no travesseiro e dormir, sem culpa, sem receio, sem preocupação. Mas eu não consigo. Eu me importo demais para isso.
Vocês já agiram meio que no "piloto automático", respondendo sem pensar muito, deixando o momento passar sem se preocupar? Isso foi o que eu fiz, e acho que é uma conclusão óbvia a de que deu completamente errado. Cada gesto e cada palavra me parece idiota, e agora eu fico me condenando por saber que eu não devia. Não devia ter feito, não devia ter falado, não devia ter ignorado. Mais uma vez é culpa da grande confusão que eu consigo causar nos meus próprios pensamentos, aliada da minha grosseria e indiferença. E esse arrependimento - louco a ponto de querer dar um telefonema agora, duas da manhã de um domingo - quer dizer exatamente o que me induz a ficar no piloto automático. Eu preciso lidar com isso, parar de querer que tudo seja exatamente do meu jeito. Eu tenho deixado de ser quem eu sou. E isso, mais do que tudo, é o que fica me puxando cada vez mais pra baixo... onde eu estou? Porque eu também queria saber. Isso aqui, essa aqui não sou eu, e agora que eu sei que não vou mais deixar meu controle de lado, não há uma situação favorável. Eu estraguei todas as possibilidades. Foi praticamente um trabalho de mestre, quase como se tivesse sido planejado, só que ao contrário do que deveria. Por exemplo, o fato de eu expressar meus sentimentos num post confuso ao invés de seguir minha vontade e dar um belo pedido de desculpas que eu já devo há muito. Ah, contradição.