18.6.09

do you care if i don't know what to say?

Se mal conseguimos ver o que está encostado em nosso nariz, como conseguiremos enxergar algo que se perde na linha do futuro? O futuro é cada segundo que passa, e cada segundo que passa já é passado. Essas palavras são passado. E que uso fazemos delas, sempre empregadas em momentos, quando elas ficam velhas e ralas? Palavras não perdem significados. Depois de um segundo ou mil, elas ainda têm suas garrinhas e seus dentinhos, prontas para atacar ou para sorrir e acariciar. E é por isso que eu sempre relaciono as palavras com o que passamos e com o que há de vir. Falar sobre passado, presente e futuro é algo tão complicado que, se eu não bajulasse as palavras e as pedisse carinhosamente que saíssem da minha consciência para a ponta dos meus dedos, ficaria frustrada. Claro, isso tudo me frustra. Idéias persistentes do passado, idéias inovadoras do futuro que, a partir do momento em que são pensadas, fazem parte do que já passou. Deve ser por isso que o futuro é sempre tão incerto. Nem mesmo o futuro do presente é capaz de passar a idéia de que podemos tatear o futuro e perguntar a ele o que nos há de acontecer.