Acho que sentir medo é inevitável. Medo do novo, medo do velho, medo do inesperado... Medo do que não sabemos, e consequentemente tememos. Eu sinto medo. Posso lutar contra ele, disfarçá-lo sorrindo e até rir na cada dele, mas não posso negar que às vezes eu não sou nada mais que a menininha sentada no canto, amedrontada, no escuro, esperando ansiosamente que alguém acenda a luz. Tenho vários medos e pouquíssima vergonha de falar deles.
De vez em quando, só de vez em quando, eu tenho medo do escuro. Quando não sinto sono ou vi algo que me assustou durante o dia, eu preciso da luz perto de mim. Eu tenho medo até do escuro dos meus olhos. Tenho medo do que não consigo enxergar. E, quando sinto medo, preciso de refúgio.
Mas e quando o que poderia ser seu refúgio é aquilo que te dá medo?
Não que eu sinta medo da coisa em si. Porque eu não sinto. No mais, é algo que ironicamente me faz sentir protegida - mas eu temo o que está em volta, o que está perto, aquilo que não sabe que está chegando perto do meu refúgio. Eu tenho medo de esconder, e perder, e mostrar, e me quebrar; sim, eu já estive em pedaços, e ainda não parei para me colocar junta de novo. Não parei. Como lidar com pedacinhos de pedacinhos? E se eles nunca puderem ser colados de novo?
Eu sinto medo. E frio na barriga. Eu só queria perder esse medo de uma vez, e ter uma certeza. Pelo menos uma pequena certeza de que o que eu temo é puro fruto dos meus pesadelos.