E por estar tão acostumada a beber suco de limão, eu só queria beber suco de limão. O tempo todo. Se não tinha o de caixinha, eu buscava os limões e espremia até conseguir meu suco. E se não tinha nem a caixinha, nem os limões, e nem o pacotinho de suco em pó, eu não bebia. Eu só esperava até poder beber meu suco de limão insubstituível.
Claro que a acidez dele muitas vezes acabava com meu estômago e me deixava um gosto ruim na boca, mas, como era meu preferido, eu não ligava. Era bom porque eu nunca conseguia enjoar dele.
Até que, certo dia, não vi mais as caixinhas de suco. Nem os limões. Nem os sucos em pó. O limão simplesmente sumiu da face da Terra, e eu, fiquei perdida. Onde quer que eu procurasse, não havia mais limão. Não achei mais o verdinho do meu vício em lugar nenhum. Então comecei a ficar com sede. Me recusei a beber outra coisa que não viesse do limão e comecei a me desidratar, sofrer os danos de ficar sem minha única bebida. Eu fiquei com muita, muita sede.
Foi aí que decidi experimentar outras coisas. Do jeito que estava, bebi um pouco de água. Ela matou minha sede. Bebi um gole de refrigerante. Ele também matou minha sede. Experimentei suco de maracujá, laranja, pêssego, manga, uva; refrigerante de laranja, cola, guaraná; batida de groselha com leite condensado; todos tiraram o seco da minha garganta.
Então descobri que, na verdade, eu não preciso do suco de limão para sobreviver. Há muitas outras bebidas por aí, que fazem o mesmo efeito - eu só preciso me acostumar com o gosto e descobrir quais são meus preferidos.
E quando eu voltar a ver algum suco de limão na minha frente? Não tenho certeza se o tomarei...
Metaforicamente falando. Dá pra entender?