"A chuva, anunciada por trovões apenas segundos antes, caía com tanta força que cada pingo no chão era uma pequena batida – constante, irritante, insistente. Eu seguia, com meus olhos, o contorno das nuvens escuras no céu, mas não as olhava realmente. Podia sentir seus olhos na minha nuca, tentando me decifrar, esperando alguma ação, ou só me examinando realmente. Estávamos protegidos da chuva, e, ao mesmo tempo, desarmados e vulneráveis. Éramos tão iguais que tínhamos que ser diferentes.
Os sentimentos que nós dois reprimíamos eram tão inconstantes quanto os raios. A compreensão passava como relâmpagos em nossas mentes. E nosso silêncio, cheio de significados e ambiguidades, era ainda mais barulhento que os trovões.
Éramos uma perfeita tempestade."