São quase duas horas da manhã de uma segunda-feira em que tenho provas, e aqui estou eu, acordada. Por quê? O que me leva a ficar acordada até tão tarde, se já terminei de estudar o que devia e não tenho nada pra fazer no computador?
O que leva a ficar acordada até tão tarde são meus pensamentos.
Não sei se é pelo fato de o sono chegar mais rápido quando estou na cama, ou se estar de frente para um lugar onde posso depositar tais pensamentos, que eu prefiro estar aqui e contar minhas idéias para alguém, ou ninguém. Vou perguntar: você nunca precisou parar pra pensar? De realmente ter que parar, não se mover muito, e colocar a cabeça pra funcionar? Bom, eu já. Na verdade, faço isso o tempo todo, talvez até mais do que o necessário.
Mas se eu não pensar, quem vai pensar por mim?
Tantas idéias para organizar num espaço tão curto de tempo - é assim que descrevo minha cabeça. Mais do que demonstro e qualquer olho humano alheio pode perceber, fico imaginando, tecendo cenas, remoendo, revivendo, relembrando, tentando entender algo que deixei passar, e que perdi no fundo de minha mente. Porque eu tenho dúvidas, e eu quero respostas; minhas próprias respostas, e de mais ninguém. Por quê? Porque só eu estou dentro da minha cabeça para saber o que realmente se passa.
Talvez seja por isso que duas pessoas nunca se entendem completamente.
Podemos pensar que temos que parar de nos preocupar tanto com o agora, dramatizar e chorar, e ficar na intensidade, para pensar no que vem depois... Ou podemos pensar que não existe depois, que o momento é agora e sempre vai ser agora. É por isso que eu fico pensando. Precisamos do que nos faz bem, e do que nos faz mal - em intensidades e momentos diferentes, mas precisamos. Futuro? Futuro é o que tá acontecendo exatamente... agora. Como posso pensar que sofrer com que está me acontecendo nesse momento é desperdício, se tudo vai passar? Sim, tudo vai passar, e é por isso que tenho que me agarrar na corda do agora, seja bom ou mau. Nem tudo é só bom ou ruim. Nem tudo é assim ou é assado.
Mas acabei de chegar a uma conclusão: TUDO é AGORA.
E é agora que eu quero estar vivendo. Mais nada.