...e vai começar tudo de novo. Primeiro vem a expectativa causada pelas especulações de datas, lugares e preços. É a hora de começar a guardar dinheiro e se comportar para ter a permissão dos pais, seja cortando grama ou tratando os irmãos mais novos como se os mesmos fossem pequenos reis. Depois que as cidades de destino são anunciadas, começa a euforia, aquele sentimento de "caramba, ainda falta muito", que coloca contadores em nicks de msn e scrapbooks. Cada dia parece se arrastar sobre os
faltam tantos e as notícias que vão surgindo aos poucos, trazendo preços e faixa etária, aumentando a tensão. Aí começa a briga pelos ingressos, e a indecisão entre o melhor lugar para ver o show. Mais conforto ou mais proximidade? Os fãs começam a se dividir, e com a contagem cada vez mais próxima do zero, começam a se unir, na tentativa de ver os ídolos com os próprios olhos. Então, no dia do show, vem a jornada sofrida de ficar na fila por horas, esperando, imaginando, desejando, passando muitas vezes fome, enganando o cansaço com as músicas gravadas já na ponta da língua, descendo até causar um aperto no coração. É aí que o tempo começa a ser cruel: se arrasta, em guinadas imprecisas, deixando nervos em frangalhos. Abrem-se os portões, vem a correria, o anseio por um lugar mais próximo do palco, e logo depois do que parecem ser longas semanas, uma banda de abertura... até que eles surgem. O cansaço já está no seu ápice, a sede machuca, o calor desanima, o desespero se revela - até tudo isso lentamente se unir num só sentimento: o de que valeu a pena.
É. Mal posso esperar.