Parece que há sempre uma bifurcação no nosso caminho. Ou essa estrada, ou aquela. Direita ou esquerda, duas opções, uma escolha. Diante disso, como podemos fazer a escolha certa, sem saber o que nos espera? Não podemos dar uma espiadinha em cada lado e decidir qual é o melhor?Não. Acho que não. Creio que não. Não. A partir do momento em que seguimos um lado, tomamos uma decisão, ele já é nosso único caminho... Somos feitos a partir daquilo que escolhemos, seja ruim ou seja bom. Uma estrada fácil de seguir não nos ensina nada, só põe em prova aquilo que já temos e sabemos. Uma estrada difícil ignora tudo que sabemos e temos e exige que criemos nosso próprio jeito de passar por ela; ao falhar e voltar, pegamos a estrada fácil com as mãos abanando. Como se fosse um atalho.
Atalhos. Não sei se são bons ou ruins. Um atalho entre a bifurcação pode ser a terceira estrada, ou a saída mais fácil, ou o caminho mais difícil. Um atralho no meio da estrada pode ser alívio, ou dor. É tudo tão incerto, tão vasto - tão vivo. A vida é feita a partir de momentos, escolhas, estradas, viajantes, placas, indicações, medos, passos, corridas, tombos. E todos são opcionais.
E além da estrada que se divide em duas, temos as duas estradas que se juntam em uma. Dois caminhos diferentes que, por causa do acaso, se cruzam, se encostam, se fundem. Isso também não faz parte de nossa escolha. O livre arbítrio é continuar a seguir por esse lado ou dar as costas a ele, mas não decidir quando ou onde vamos encontrar o lado oposto. Talvez essa seja mais uma das maravilhas da vida, uma surpresa entre os momentos, escolhas, viajantes, medos, tombos etc... Talvez sejamos só nós, divagando e imaginando. E seguindo pela estrada, qualquer que seja.