"Era uma vontade cheia de paixão e alegria, uma tentativa, um resgate. A vontade de voltar no tempo e ter um, dois, três segundos a mais para dizer uma palavra a mais ou dar um abraço a mais. Um beijo a mais. Talvez a menos. Um sorriso? Um olhar. Era quase uma cena formada em sua cabeça, pronta para rodar, como um filme, à simples menção de certa palavra.
Seus olhos. Sonolentos, pequenos, cerrados, mas alegres. E tristes. Sua risada baixa e o medo da despedida. Esperado, mas indesejado. Necessário.
'Você não sabe o quanto eu vou sentir sua falta', disse ele, enquanto seus braços fechavam um abraço desajeitado. 'Eu não queria ir embora'.
'Eu vou morrer de saudade' ela deu um sorriso triste e o apertou mais, como se aquilo fosse adiar o fim do dia. Como se pudesse parar o tempo ali, naquele instante, e impedí-lo de passar.
Palavras silenciosas. Palavras não ditas, mas sentidas. O aperto na garganta, o coração batendo mais forte e acelerado... um pouco mais confortável.
Ela novamente sacudiu a cabeça e parou a cena em sua mente. Sentiu seu coração acelerado, apertado, e pensou no que falar mais uma vez. Aquele sentimento agora era seu companheiro, sua lembrança mais forte, sua saída. Era ela. Era tudo, tudo em volta.
Saudade. Sem traduções."