E, no final, talvez não seja a hora certa... Mas será que há hora certa para tudo? Será que todas as nossas vontades devem ser feitas apenas nos momentos que parecem corretos, nas horas que lhes convém? Não sei se eu estou pronta. Talvez eu já esteja há muito tempo. Talvez eu nunca esteja realmente pronta. Pronta para quê? Para deixar minha vida - atual - para trás e mergulhar de cabeça num oceano completamente desconhecido, do qual só ouvi falar.
Sei que ele pode ser raso ou pode ser fundo, e me afogar; sei que a água pode estar calma ou pode me puxar contra minha vontade. Sei que, para abrir os olhos debaixo d'água, vou precisar me esforçar e, mesmo assim, não serei completamente capaz de enxergar mais que um palmo a minha frente. Tudo que eu sei e tenho certeza é de que vou ter que me arriscar. Vou, não vou?
Se arriscar é um misto de coragem, prepotência, medo, confiança, insegurança e peito aberto. Para se arriscar, não conta a idade, não conta o tamanho, não conta nem a experiência - nada conta. Um risco nunca deixa de ser um risco, seja para uma pessoa de quinze ou de noventa anos. E nós nunca sabemos nossos limites e capacidades, até arriscar tudo que temos...
É como aquela velha metáfora do copo - um copo cheio até a boca, quando é derramado algo em cima, transborda e todo o novo conteúdo cai pra fora e é desperdiçado. Num copo que está cheio até a metade, o novo conteúdo só vai acrescentar, enriquecer. Mas, para ser assim, o copo precisa ser constantemente esvaziado até certo ponto. Isso se chama estar aberto para novas oportunidades e possibilidades. Isso se chama arriscar. Não saber se o que está por vir é bom ou ruim, mas tentar, testar, e não apenas ficar olhando coisas boas e ruins passando pelos olhos sem tocá-los.
E, no momento, estou esvaziando meu copo... Só ainda não sei se quero experimentar esse novo conteúdo ou não. Não sei se prefiro deixá-lo passar e encher os outros copos que eu sempre observei e admirei. A comodidade ou o risco? A certeza ou a incerteza?
Como é aquela outra frase...? Só sei que nada sei...