Subjetivismo.
"O tique-taque do relógio soava distante, apenas um som de fundo para suas idéias gritantes. Com os olhos abertos na escuridão da noite e as mãos pousadas no lençol de linho branco, sua mente estava distante. Vazia. Vagava por algum lugar desconhecido entre a consciência e o sonho, o pensamento eufórico e flutuante - flutuante porque não tinha base. Ela sabia que sonhos não se tornavam realidade. Há muito deixara de acreditar em contos de fadas.
Sua vida estava mais para um grande e esquecido livro de romance policial, deixado no fundo de alguma prateleira numa livraria abandonada. E ela era a menina sentada ao lado da prateleira, no escuro, imóvel, quase intangível.
Virou a cabeça para o outro lado e sufocou quase que imediatamente a repetina vontade de estar em outro lugar. Sua cabeça tinha tantas questões... e nenhuma resposta... que confusão!
Ela queria ir embora. Queria fugir. Se pudesse juntar suas roupas numa mala e ir embora num dia em que os pais não estivessem em casa, ah, ela iria... Ou não iria? A incerteza da independência e a certeza do desafio. O medo. A dúvida de quem era.
Ela não queria ir embora.
E, mais uma vez, pensou nele. Quem amava. Amor humano, amor de amor. A dificuldade estava nela ou nele? Era medo, desinteresse, ou falta de amor? A falta de seu sorriso ou a falta de interesse nele?
Mais confusão. E o relógio continuava tiquetaqueando. Seu tempo continuava passando e, mais uma vez, ela afundou a cabeça no travesseiro e tentou não pensar em mais nada. Fechou seus olhos. Abri-los e continuar desejando com todas as suas forças que pudesse entender seu mundo e sua vida só resultaria em horas de sono perdidas e irrecuperáveis."
Também não sei o que quis dizer. Vivo confusa, alegre, triste, incerta, irrelevante, inconstante; não sei.