Nada acontece duas vezes da mesma maneira.
Eu queria, além de entender isso, me conformar. Ou talvez conformar nem seja a palavra certa. Queria que fosse o suficiente para calar a vontade de voltar no tempo ou ter o que eu quisesse de novo. Sei que nada vai simplesmente ser como um dia já foi - e isso é bom. Se tivéssemos tudo que queremos quando quisessemos, tudo perderia a graça. Talvez seja uma sorte não passar por algo duas, três, quatro vezes, tanto para o bom quanto para o ruim. O bom deixaria de ser colorido. E o ruim deixaria de ser preto e branco. Já que com tudo se acostuma, se conforma, a regra de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar é válida. Porque por mais que ele caia, não vai ser exatamente na mesma marca, e não vai ser no mesmo dia, no mesmo segundo, do mesmo jeito - como a água corrente de um rio. É água, mas nunca é a mesma água. A água levada pela correnteza não vai voltar. Está ali, mas cada vez mais distante, não tangível.
Podemos nos comparar com pequenas gotas d'água num rio. Viajamos pelo tempo e pelo espaço, nunca parados, sempre mudando, passando por altos, baixos, ruins e bons - e nunca voltando. Podemos olhar para trás, mas sempre acabamos sendo puxados para frente. É o conceito de estar vivendo apenas o presente. O que já foi não volta, o que virá pode não chegar. E nada nunca é igual. Somos só um, e sempre seremos, e nunca na história desse mundo haverá uma pessoa idêntica a cada um de nós. É, nada acontece duas vezes da mesma maneira... Não é uma delícia?