É um frio instantâneo. É como se de repente tivessem apagado não só a luz, mas o sol; a fonte de calor e de luz e a guia de um caminho. Não há atrito para acender as velas nem lanternas, nem luzes de emergência... Às vezes tudo que resta é escuridão. Pessoas podem ser com a lua; refletem a luz que recebem e, a partir daí, brilham. Também iluminam. Podemos ser luas – nem sempre precisamos ser sóis, não é?
Estou no meu momento lua. Há dias, as palavras que saem de mim refletem a vulnerabilidade e a fragilidade de um momento em que ficar sozinha só vai me piorar. Antes de voltar para minha fase de Iluminadora, eu preciso receber um pouco de luz. A luz que eu busco em tantos lugares – procuro a claridade de uma estrela. Não posso procurar por outro Sol, não posso querer algo igual a mim, então busco os pontos de luz que aparecem correndo, gritantes pelo céu, pela escuridão do universo negro, ou que ficam parados emitindo seu fulgor.
Na minha fase de lua, achei uma estrela. Como se por uma força gravitacional, me obriguei ser puxada até ela para ser iluminada e, quando estava clara e reluzente, me afastei e voltei a ser Sol. Por que, então, me afastei? Ah, a tola necessidade humana de achar que é possível viver sem companhia... uma hora, a energia acabou e me tornei lua de novo. Voltei para as estrelas, só que, agora, percebi que não preciso ser sol... Posso ser um pouco dos dois. Posso ser o sol das estrelas, que reflete seu brilho e, por nunca sair de perto, começa a ter sua luz própria. Posso apenas brilhar no céu e não me perguntar tanto de onde vem tanto brilho.