"A noite passa sempre vazia e serena. É tão imponente que me deixa vulnerável, e, com a vulnerabilidade, os sentimentos vem à tona...
Por fora, eu sou uma garotinha tão forte! Eu passei por tantas coisas difíceis... Vi chorar no meu ombro aqueles que me pegavam no colo quando eu soluçava, servi de fortaleza, suportei, aprendi a guardar o choro... Virei uma pessoa dura, amadureci mais do que pensei que podia. Por um momento, virei mulher. E me mantive assim, sendo levemente amolecida conforme o vento passava... até que deixei a máscara cair, fui humana no meu melhor. Emoções na pele e no sangue correndo pelas veias. Cada segundo, uma batida de coração e uma nova chance.
Ainda assim, à noite, às vezes... entenda, nem sempre... só às vezes eu sou apenas uma garotinha. Quero colo, atenção, carinho, abraço, quero beijo na ponta do nariz e alguém para enxugar minhas lágrimas. De vez em quando, a noite chega e eu estou sozinha no quarto... e nesse momento a imensidão do mundo está nos meus ombros, sozinha, Eu, sozinha. Quando tudo que só instantaneamente preciso é de alguém.
Talvez, eu mesma, não sozinha.
Preciso me conhecer. Bater na porta de mim e não encontrar um cômodo vazio. Me achar, encolhida, no fundo de mim, nas horas em que estiver vulnerável - e aí achar os motivos pra ser forte."