4.5.10
hearts beating faster faster
E meu coração dói. Dói de saudade. Dói apertadinho, pequeno, tímido, dentro de si, dói doendo como se fosse a última dor que pudesse doer. Devagarinho, me doem também os olhos, os sentidos, me dói a cabeça, mas acima de tudo me dói o coração. Delicadamente tento me abraçar para o aquecer, mas ele parece distante; doendo. Diversas vezes penso em tirá-lo de mim para acabar de vez com o sofrimento delinquente que me assola - mas como tirarei de mim a única dor que vale a pena doer? Doeria tirar meu coração, mesmo que ele já doa. Doa de saudade, de verdade, de esperança de um dia parar de doer e ficar no conforto do consolo. De repente é só uma dor tão dolorida que me faz deixar de sorrir - ou não? Não. Não me dói tanto. Dói a ponto de me deixar instigada a achar minha cura, minha calmaria, e duvidosamente se diverte quando ela chega. Só dói, pensando bem, um pouquinho. Um pouquinho comparado ao tanto de amor que me faz ter saudade que me faz ter dor. Dor é consequência - saudade é causa - amor é condição. Quem sou eu para dizer não?