11.8.11

things 5000 miles can't change

Não consigo decidir se eu quero demais ou de menos. Às vezes eu quero que todos entendam o tamanho da sua parte em mim. Quero que entendam que, de vez em quando, na vida de uma pessoa aparece alguém que muda toda a história que você achava conhecer de cabeça e dá sentido a tudo que era antes desconexo. E entendam que essa pessoa não precisa ter um título na sua vida - amigo, namorado, amante, marido, pai, servo, conselheiro, o que seja - quando, no seu coração, o nome dela está escrito em cada veia pulsante, em cada pedaço do tecido que bombeia vida pelo seu corpo. Mas às vezes eu quero que todos continuem ignorantes e deixem em paz minha incurável mania sua. Acho desnecessário perder meu tempo explicando que aprendi, com esforço, a te deixar intocável no meu passado, intacto para que cada lembrança seja perfeita, e que meu sentimento é muito mais profundo do que qualquer outra coisa que já passou por minha cabeça. Eles não entendem, não. Você significou para mim o mundo todo resumido na soma do que eu queria e na contradição dos meus mimos, você foi todos os medos que eu tive que enfrentar e o preço que eu tive que pagar por minha ignorância. Talvez - e assim eu espero - você nunca nem chegue a imaginar o quanto mexeu com meus padrões e me colocou num eixo diferente. O eixo certo. Porque antes de você, eu procurava qualquer enchimento para o buraco que eu sempre soube estar aqui, a todo custo, sem considerar que às vezes o vazio é melhor que o cheio de nada; depois de você, eu espero ansiosamente o complemento certo me achar. "Não precisa correr tanto. O que é seu às mãos lhe há de vir", disse uma vez Machado de Assis. Não correrei. Esperarei. Com você, acima de todas as outras coisas e à força, conheci a paciência. Hoje sou mais paciente, mais calma, mais madura, mais resistente, mais tolerável, mais altruísta e, embora ainda extremamente longe de perfeita ou ao menos exemplável, mais eu. Obrigada.