8.3.12

and I'm gonna make you proud.

No fundo do peito, havia a exclamação insistente do sucesso: abram alas! Aqui vem uma realizadora de sonhos!, queria gritar. E no entanto eu era mais uma passante na rua, mesclada no cinza do asfalto e tão cheia de cores quanto todos na calçada. Se em cada um houvesse uma pequena insígnia pendurada - a mais recente realização, um novo sonho, um novo amor - talvez o mundo aprendesse a sorrir de volta. Sorrir para o interior que aparenta seriedade. E então me diga a razão de escondermos todos o que faz brilhar; o que faz a luz do sol daquele quase fim de tarde parecer o holofote perfeito para uma história de cinema. Eu queria me virar e agarrar as mãos da senhora sentada perto de mim: eu consegui! Eu vou ser feliz! Eu vou ser feliz? E agora, com o que sonhar? Sonhar! Sonhar com qualquer coisa! E você? Com o que sonha? Com o quê? - mas guardei minha vontade de novo no fundo do peito, tentando amenizar o brado do alcançado. Porque vivemos num mundo que nos ensina a guardar o que é bom, e expressar o que não é. Eu discordo. E canto minha alegria em tom alto, ainda que desafinado, para aqueles que também tem um sonho. Eu quero, eu posso. Eu vou.