É culpa da constante despedida. É como se você continuasse indo embora, pela décima, vigésima, centésima vez desde a primeira. Não aguento mais ser deixada. Porque toda vez que você está aqui comigo, e a ferida está finalmente cicatrizada ou pelo menos estancada, algo se rasga e ela volta a sangrar. E eu fico sozinha pra parar o sangramento. A culpa é minha mas as vezes eu te odeio porque a culpa é toda sua. Quero ser egoísta e te acusar para assim, talvez, não te deixar ficar dentro de mim. Pra você não ir embora outra vez e levar outra parte de mim. Pela primeira vez, eu estou realmente cansada da distância e feliz porque ela existe porque é a minha única saída. E meu único caminho. Por enquanto estou correndo contra ela para ficar no mesmo lugar - me recusando a seguir em frente, porque o destino não é o que eu quero. Quando eu resolver virar as costas... Vai ser como pular no precipício. No buraco escuro e ameaçador do qual eu fujo tão ferozmente. E talvez ele me leve para um lugar melhor onde não vou ser deixada. Mas que eu não quero.
Viu? Por causa do que você fez e do que você é, você me estragou completamente para outra pessoa. Hoje eu me acho incapaz de seguir aquele caminho porque aturar outro adeus e outras constantes, diárias despedidas é mais do que eu posso suportar.
Deixe-me.